Juntando Fragmentos
Chegamos ao ano de 2008, onde novamente um deck específico dominaria completamente o formato Standard, causando pesadelos e calafrios nos jogadores que o enfrentavam até hoje. Alguém aí lembra qual deck era este?
Bem, o lançamento de Morningtide em Fevereiro deu seguimento ao trabalho temático/tribal iniciado em Lorwyn, porém esta expansão não ficou atrás em nível de poder. Seriam lançadas cartas como Heritage Druid, Mutavault e Scapeshift, todas hoje altamente valorizadas e bastante procuradas, entretanto duas se destacariam imediatamente: Vendilion Clique e em especial, Bitterblossom.
Foi neste momento que o deck de FADAS tornou-se o maior pesadelo de 1 em cada 10 jogadores - pois os outros 9 já estavam jogando com decks de Fadas. Após o Affinity do Bloco de Mirrodin, foi o arquétipo mais dominante do Magic e era impossível pensar num ambiente competitivo no formato Standard que não estivesse inundado de fadas por todos os lados, tendo Bitterblossom como sua principal arma, a qual sempre caminhou na linha tênue entre ser forte demais para manter o formato justo e não ser forte o suficiente para ser banida.
Em Maio de 2008 foi lançada Shadowmoor, que trouxe a grande novidade de cartas com mana híbrido: manas "divididos ao meio" entre duas cores, indicando que seus custos poderiam ser pagos de duas formas diferentes. Logo em seguida e sem praticamente dar chance para todos se acostumarem, veio em Julho Eventide, com uma continuação praticamente ininterrupta do trabalho de Shadowmoor.
Os maiores destaques de ambas ficaram com cartas como Cursecatcher, Fulminator Mage, Kitchen Finks, Manamorphose, Mana Reflection, Nettle Sentinel, Regal Force, Slippery Bogle, Wilt-Leaf Liege e Vexing Shusher.
Outra "novidade" importante foi a expansão de um ciclo completo de "Filter Lands", terrenos com os quais você paga um mana híbrido para conseguir dois manas em três combinações diferentes: Cascade Bluffs, Fetid Heath, Fire-Lit Thicket, Flooded Grove, Graven Cairns, Mystic Gate, Rugged Prairie, Sunken Ruins, Twilight Mire e Wooded Bastion. A "novidade" veio entre aspas pois Graven Cairns já havia sido lançada em Future Sight no ano anterior, mostrando que de certa forma a Wizards of the Coast realmente se importava com o "flavor" das edições do Magic, além de brindar ao mesmo tempo os jogadores com uma poderosíssima ferramenta em todos os formatos do jogo.
O encerramento de um ano que viu uma grande quantidade de cartas fortes inundando o mercado não poderia ser diferente e veio em Outubro com Shards of Alara, que retomou o formato de blocos com 3 expansões. Alara nos apresentou mecânicas muito relevantes, como Exalted e Unearth, assim como Devour, que na época foi importante para o formato Standard, mas sua principal novidade veio na apresentação das cartas sendo divididas em 5 fragmentos: Bant (branco/azul/verde), Esper (azul/branco/preto), Grixis (preto/azul/vermelho), Jund (vermelho/verde/preto) e Naya (verde/vermelho/branco). Qual seria a relevância disto?
Desde os primórdios do jogo, as diversas combinações de cores nos decks e arquétipos não tinham nomes. As 10 combinações possíveis de 2 cores foram cobertas no Bloco de Ravnica, mas para ser sincero, os nomes não "grudariam" até o lançamento no futuro do Bloco de Retorno a Ravnica (ninguém pode negar que a Wizards não desiste fácil!). As combinações de cores dos 5 Fragmentos de Alara mudaram completamente o Magic, facilitando ainda mais estratégias e arquétipos diferentes, forçando novas nomenclaturas. Hoje é comum que você diga que tem um deck Bant Auras, Naya Zôo, Esper Control, Grixis Twin ou simplesmente Jund. Até aquele momento, você diria que tinha um UWG Auras, UWB Control e assim por diante.
Cada um destes 5 Fragmentos receberia um planeswalker, mostrando o compromisso da Wizards of the Coast em retomar a narrativa em torno dos seus "protagonistas". Inclusive uma das maiores novidades foi o Ajani Vengeant ser não apenas o primeiro planeswalker, mas também a primeira carta de raridade mítica e ser distribuída nos eventos de Pre-Release e Launch Party de uma edição do Magic. Isto fez com que muitos jogadores, iniciantes ou veteranos, tivessem acesso pleno e imediato a uma carta muito forte.
Os maiores destaques de Shards of Alara ficaram para seus planeswalkers (Ajani Vengeant, Elspeth, Knight-Errant, Sarkhan Vol e Tezzeret the Seeker) e outras cartas como Blightning, Ethersworn Canonist, Master of Etherium, Mycoloth, Knight of the White Orchid, Ranger of Eos, Tidehollow Sculler e Wild Nacatl.
2008 foi um ano bastante saudável para o Magic, apesar do domínio do arquétipo das Fadas no formato Standard. Muitas possibilidades foram abertas e cada vez mais a criatividade dos jogadores para construção com as mais diversas combinações de cores em todos os formatos ficaram ainda mais ricas. De certa forma, podemos dizer que o time de Pesquisa e Desenvolvimento, sob a liderança do Mark Rosewater, encontrou uma fórmula de sucesso e preparava edições e cartas que deixavam todos empolgados e felizes por estarem envolvidos com o jogo. Foi nesta época que eu voltei a jogar competitivamente, por exemplo, após algum tempo acompanhando o jogo "do banco". O mesmo aconteceu com muita gente e podemos dizer que sim, foi uma época muito interessante - especialmente para quem pegou as cartas certas, que valorizariam bastante muitos anos depois. ;)
Metagame
A principal estrela de 2008 foi sem sombra de dúvidas foram as FADAS. Tanto na época como hoje em dia é indiscutível que o jogador mais proeminente com este arquétipo foi o nosso brazuca Paulo Vitor Damo da Rosa, Pro-Player e agora membro do Hall da Fama. Então um "jovem prodígio", com apenas 21 anos o PV já arrebentava com seu deck de Fadas, entretanto mesmo sendo o favorito, perdeu no primeiro match no Top 8 do Campeonato Mundial para o Jamie Parke (que adivinhem? jogava de Fadas), o qual em seguida perdeu na final para o campeão finlandês Antti Malin (um doce pra quem adivinhar qual era o deck dele - alguém aí disse Fadas?!?!). Mesmo com a derrota, o gaúcho PV foi reconhecido como um dos jogadores mais influentes daquele ano e continuaria sua estrelar trajetória no jogo, representando as cores do nosso país.
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