Os Protagonistas
No artigo anterior, que já está Vivendo no Passado há alguns meses, vimos como o início do bloco Time Spiral conseguiu retomar a nostalgia no Magic. Sua continuação, Planar Chaos, foi lançada em Fevereiro de 2007 e não apenas manteve a linha nostálgica, mas trouxe uma novidade interessante: as "inversões". Para representar um "presente" drasticamente alterado pelos eventos de Time Spiral no "passado", foram impressas 45 cartas de "cores alteradas". O quê isso significa?
Significa que cartas clássicas foram reimpressas com outras cores. Já viu uma Wrath of God preta? Se chama Damnation. Curiosity verde? Eis Keen Sense. Elvish Spirit Guide vermelho? Simian Spirit Guide. Kismet azul? Frozen Aether. Venduran Enchantress branca? Mesa Enchantress. Loucura total.
Esta foi uma manobra muito interessante, que abriu um leque de opções bastante amplo nos formatos "eternos", apesar de deixar muitos jogadores jovens confusos na época, pois estes não se identificavam com o saudosismo e nostalgia do bloco.
Em seguida, em Maio de 2007, o lançamento de Future Sight continuou revelando novidades estéticas muito interessantes. Aproveitando a temática do bloco com a visão do futuro de Dominaria, foram lançadas cartas com um layout completamente diferente e inovador, representando este salto no tempo. Além disso, várias mecânicas novas foram criadas ou readaptadas, tais como Delve, Absorb e Gravestorm.
Apesar de não ter ficado tão claro na época, Future Sight hoje é reconhecida como uma expansão absurdamente overpower. Os formatos Legacy e Modern contam com muitas de suas cartas como staples absolutos e fica até difícil começar: o Tarmogoyf, claro, é a estrela do bloco e até hoje uma das cartas mais apreciadas do Magic. Além disso temos o ciclo dos Pactos (os fortíssimos Pact of Negation, Slaughter's Pact, Summoner's Pact e os menos apreciados Pact of the Titan e Intervention Pact), um ciclo de terrenos tão atípico quanto excelente (Grove of the Burnwillows, Horizon Canopy, River of Tears, Graven Cairns, Nimbus Maze). Como se não bastasse, ainda ganhamos Sliver Legion, Daybreak Coronet, Magus of the Moon, Aven Mindcensor, Dryad Arbor, entre outros.
Muitos argumentarão que boa parte destas cartas já foram reeditadas, mas o nível de poder geral das raras que vinham em Future Sight fazem com que boosters desta edição hoje sejam caçados a preços astronômicos (um booster custa em média US$ 30!!! Seria um bom investimento? Afinal de contas, quem não gostaria de abrir um Goyf que vale US$ 200?).
A Décima Edição veio em Julho de 2007 mantendo um excelente padrão de qualidade na confecção de layout das cartas, que já vinha sendo um foco óbvio da Wizards of the Coast na produção do bloco de Time Spiral. Apesar de não chegar nem perto do nível de poder de Future Sight, ela é até hoje considerada uma das melhores edições para colecionadores da história do Magic por uma série de motivos.
Para começar, esta foi a primeira edição básica do jogo a ter cartas com bordas pretas desde Beta - um hiato de quase 14 anos (lembrando das exceções de que existem cartas da 4ª Edição com borda preta em algumas línguas, como vimos no artigo sobre 1995 e das cartas foil de 7ª, 8ª e 9ª Edição). Além disso, as cartas foil da 10ª Edição vem sem o texto de ajuda para novos jogadores (explicando, por exemplo, como funcionam habilidades e mecânicas básicas como Atropelar, Iniciativa, Voar, etc). Desta forma as versões foil das cartas comuns podem ser muito, mas muito mais valiosas para colecionadores, até por poderem ter texto ilustrativo adicional ou diferente da carta em versão normal.
Como se isso não bastasse, ainda na onda do saudosismo, várias cartas "antigas" foram reeditadas e ainda tivemos ilustrações e arte novas para um grande número de versões. Os destaques ficam por conta de Crucible of Worlds, Grave Pact, Platinum Angel, Hurkyl's Recall, Elvish Piper, Wrath of God e a reimpressão do ciclo completo de "pain lands", que facilitaria uma grande diversidade de estratégias multi-coloridas no próximo bloco a ser anunciado...
Lorwyn apareceu em Outubro e foi um "mini-bloco" com apenas a edição-título grande e sua expansão (Morningtide) pequena. Ele representou o retorno à temática tribal, satisfazendo jogadores casuais no mundo inteiro, enquanto apresentava cartas bastante poderosas para os jogadores competitivos e pro-players.
Com um mundo inspirado no folclore celta/galês, tivemos a consolidação dos kithkin (os "hobbits/halflings" de Magic - a Wizards of the Coast sabe muito bem como evitar um processo judicial) e fadas como novos tribais fortes, além do renascimento dos goblins ("boggarts"), tritões ("merrows") e elfos.
Agora, havia uma novidade que abalou completamente o mundo do Magic, competitivo ou não, para sempre. Foi em Lorwyn que passamos a conhecer os Planeswalkers, poderosos usuários de magia com a habilidade de transitar entre os planos de existência. Apesar do conceito não ser tematicamente alienígena para quem conhece a história do jogo (por exemplo, Urza era um Planeswalker), esta foi a primeira introdução de um tipo completamente novo de carta desde o início do Magic em 1993! Os Planeswalkers mudaram completa e fundamentalmente a forma como o Magic funcionaria, além de se tornarem os protagonistas temáticos da maioria das edições no futuro. Mas foi em Lorwyn que passamos a conhecer personagens como Ajani Goldmane, Chandra Nalaar, Garruk Wildspeaker, Liliana Vess e o queridinho da galera, Jace Beleren.
Um dos melhores aspectos de Lorwyn foi que esta edição conseguiu não apenas satisfazer jogadores casuais com sua temática fortemente tribal, mas trouxe muitas cartas muito poderosas para os campos de batalha competitivos. Podemos citar como maiores destaques o ciclo de Comandos (Cryptic Command sendo a estrela, acompanhado por Primal Command, Austere Command e os não-tão-poderosos Profane Command e Incendiary Command), o ciclo de terrenos com Hideaway (Howltooth Hollow, Mosswort Bridge, Shelldock Isle, Spinerock Knoll e Windbrisk Heights) e algumas cartas muito fortes como Thoughtseize, Ponder, entre outras.
Apesar da recepção inicialmente morna quanto ao Bloco de Time Spiral, o fechamento do ano com Lorwyn deixou muita gente empolgada e não apenas captou um grande número de novos jogadores, mas manteve em alta a tendência de retorno aos campos de batalha, especialmente por jogadores que abandonaram o Magic na época dos problemas causados pelo Bloco de Mirrodin e o deck Affinity.
De certa forma, 2007 nos trouxe os protagonistas do "universo" de Magic: the Gathering, na figura dos Planeswalkers, mas especialmente quando olhamos para o formato Modern hoje em dia, é impossível não pensar que foi neste ano que surgiram staples absolutamente inegáveis do formato, que fazem com o que o jogo seja divertido e saudável até hoje - apesar de um tanto o quanto "caro", às vezes.
Metagame
O maior destaque de 2007 ficou com certeza para o Combo de Dragonstorm, criado pelo lendário pro-player, deck designer e membro do Hall da Fama, Patrick Chapin. Em um mundo afundado em decks aggro e midrange, o deck de Dragonstorm foi elevado à glória e atenção mundial no Campeonato Mundial, pilotado pelo time composto pelo próprio Chapin, com Gabriel Nassif e Mark Herberholz.
Entretanto, o Campeão Mundial daquele ano foi o israelense Uri Peleg, que derrotou o Patrick Chapin na final com um deck Junk (Abzan/BGW) Midrange com boa quantidade de atrito, que abusava do poder bruto de cartas como Tarmogoyf, Thoughtseize e ainda usava uma planeswalker chamada Liliana... Rolou alguma identificação entre os jogadores do formato Modern de 2015? É simplesmente sensato que algo que sempre foi bom, continue sendo bom. Mesmo que o seu tão amado Birthing Pod seja banido!
#prontofalei
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