Viver no Passado: 2002

BRASIL-IL-IL!!!


NERDS, UNI-VOS! Em primeiro lugar eu gostaria de pedir desculpas pelo grande atraso nesta matéria; uma série de compromissos em Dezembro esgotou completamente meu tempo. Então vamos começar 2015 em grande estilo - vivendo no passado!

Para quem acompanhava a história do Magic The Gathering, chegamos ao ano de 2002, quando em Fevereiro foi lançada a expansão Torment, dando prosseguimento ao bloco de Odissey. Esta edição foi a primeira a pender predominantemente para uma das cinco cores - neste caso, as cartas pretas receberam o reforço. O lançamento de cartas muito poderosas como Chainer's Edict, Nantuko Shade e Cabal Coffers permitiram o surgimento do arquétipo de Mono-Black Control, o primeiro deck de controle a não utilizar cartas azuis. Além disso, cartas comuns e incomuns com nível de poder diferenciado como Aquamoeba, Arrogant Wurm, Basking Rootwalla, Circular Logic e Wild Mongrel permitiram o surgimento de decks U/G que giravam em torno da nova mecânica de Madness (Loucura) - abusando do constante descarte, era possível montar um deck rápido, barato e acessível, que foi muito popular na época.

A continuação do bloco, Judgment, foi lançada em Maio de 2002, manteve o foco anterior nas mecânicas de Flashback (Recapitular), Threshold (Limiar) e Madness (Loucura), mas suas cartas que ganharam mais popularidade foram o ciclo de "Wishes" (Desejos): Burning Wish, Cunning Wish, Death Wish, Golden Wish e Living Wish. Estas cartas revolucionaram completamente a forma como se pensava em construção de decks, permitindo que você buscasse cartas que estivessem fora do jogo - ou seja, em formato competitivo, no seu sideboard. Isto aumentava enormemente as possibilidades de acesso a cartas do seu sideboard, durante uma partida! Cunning Wish teve um impacto imediato grande no formato Standard, sendo incluída em todos os decks que jogasse com a cor azul, entretanto até hoje a grande estrela da expansão Judgment foi Burning Wish, que entrou rapidamente em decks de combo Legacy e Vintage.

No geral, o bloco de Odisséia não foi muito bem recebido pelos jogadores e criticado amplamente, especialmente devido à mecânica de Threshold (Limiar), que forçava os jogadores a ficarem contando o tempo todo o número de cartas nos cemitérios, tornado o jogo mais chato e "travado". Além disso, houve uma grande crítica na época pois a impressão que se tinha era que o time de Desenvolvimento e Pesquisa (R&D), responsável pela criação das cartas e blocos, praticamente forçou os jogadores a usarem apenas 3 tipos de decks diferentes, por serem muito mais fortes que quaisquer outras estratégias da época: Mono-Black (Control), U/G Madness (Aggro/Control) e U/B Psychatog (Control). Este tipo de problema voltaria a acontecer novamente - várias vezes!

Em Outubro de 2002 tivemos o início de um novo bloco com a edição Onslaught (Investida). Esta série ficaria conhecida por ter incentivado mecânicas tribais, elevando os Goblins ao posto de "deck a ser batido", mas também dando grande reforço para os Elfos. Uma mecânica muito bem recebida pelos jogadores na época foi a habilidade de Morph (Morfar), que além de permitir a utilização de cartas com custo muito alto no início do jogo (pagando os 3 manas genéricos para colocar a criatura 2/2 morfada na mesa), adicionou um elemento muito interessante ao Magic, que deixava os jogadores intrigados para saber qual criatura estava "escondida a olhos vistos" na mesa.

Mas a maior novidade de Onslaught viria na figura de 5 terrenos que revolucionaram completamente os formatos competitivos do Magic: Bloodstained Mire, Flooded Strand, Polluted Delta, Windswept Heath e Wooded Foothills. Hoje amplamente conhecidas como "Fetch Lands", estes terrenos abriram um grande número de possibilidades para a correção da curva de mana de decks, um problema que afligia jogadores desde os primórdios do Magic. No bloco de Miragem foi publicado um ciclo de 5 terrenos que faziam o mesmo efeito, porém eles eram muito lentos - entravam em jogo virados. Falando dos formatos Legacy ou Vintage, com as Fetch Lands de Onslaught, era possível nos primeiros turnos de uma partida já ter todas as Dual Lands necessárias para montar sua estratégia. Uma verdadeira monstruosidade. E pensar que naquela época as pessoas repassavam a preço de banana terrenos que hoje podem chegar a valer 50 dólares cada.

Apesar de todos os esforços a Wizards of the Coast para manter o jogo interessante e atraente para novos jogadores, o grande número de mecânicas confusas existentes, assim como edições recheadas de cartas fracas com poucos destaques, não ajudava muito nessa estratégia. A possível solução para o problema somente seria implementada em 2004, entretanto um fato não podia ser negado:

O Magic estava perdendo fôlego. E rápido.

Metagame

Como já disse antes nesta matéria, o metagame daquele ano foi dominado pelo Mono-Black Control, U/G Madness e U/B Psychatog até o lançamento de Onslaught e após, por Elfos e Goblins (o Goblin Piledriver era uma máquina absoluta!). Entretanto eu gostaria de ressaltar algo muito importante para nós, brasileiros. Em Junho de 2002 a seleção brasileira de futebol sagrou-se pentacampeã do mundo no Japão, com dois gols do Ronaldo Cascão. Pouco mais de um mês depois, também lá do outro lado do mundo (agora na Austrália), ganhamos o nosso PRIMEIRO CAMPEÃO MUNDIAL DE MAGIC! O paulista Carlos "Jaba" Romão bateu 245 oponentes de 46 países com seu deck U/B Psychatog para levantar a taça e entrar definitivamente para o rol dos grandes jogadores de Magic. A mecânica deste deck girava em torno de controle tradicional (remoções e anulações), até o momento no qual era viável jogar um Upheaval, devolver todas as permanentes para as mãos dos seus donos e com o mana que sobrasse, colocar um Psychatog em jogo. No turno seguinte você removia todo o seu cemitério para fazer um ataque final e mortal com seu Psychatog solitário. Era um deck difícil de se jogar, porém muito eficiente - todo o mérito vai para o Jaba por ter conseguido pilotar esta máquina para se tornar o primeiro (e único) brasileiro campeão mundial de Magic.
Enquanto isso, em Niterói...
Como não houve grandes novidades na cidade, vou falar sobre mim: eu estava morando em Rio das Ostras e trabalhando em Macaé naquela época. Mantive pouco e esporádico contato com o jogo durante 2002, porém era possível ver de longe a cena do Magic sendo consolidada. As partidas continuavam ocorrendo na Physic Fuel e na Tholarian.

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